Ansiedade
- Jubs Rosa Rebelo

- 19 de fev. de 2024
- 3 min de leitura
Falta de ar, coração acelerado, dores no corpo, agitação, angústia e medo. Quando os primeiros sintomas começaram eu não entendia nada. Ficava completamente assustada e a única coisa que eu pensava era em ir para o hospital. Pensava que no hospital teriam os profissionais para me socorrerem (me socorrerem de mim mesma). Por sorte na maioria das vezes tive meu querido esposo ao meu lado, que sempre me acalma e me lembra de algo muito importante: respirar. É impressionante como controlar a respiração ajuda nesses momentos. Parece um alerta que a gente dá pro nosso corpo de que ele pode se acalmar, que está tudo bem e que ‘esses sintomas são inofensivos’, como diz o querido Dr. Marco Abud, cujos vídeos já me ajudaram muitas vezes.
Quando eu era criança eu achava que se sentir ansioso era um sinal de que você esperava com tanta alegria por um evento ou circunstância, que parecia que ia explodir de alegria. Aí lembro de uma vez, faltava um mês pro meu aniversário de 15 anos, estávamos organizando uma baita festa e então eu disse para minha mãe que estava muito ansiosa pra festa, achando que ela ia achar o máximo eu estar tão empolgada.
Outra vez conversando com uma amiga alemã, falei para ela que estava ansiosa com algum evento que estava esperando acontecer.
Tanto minha mãe quanto minha amiga ‘reprovaram’ o termo que escolhi. Minha mãe (que certamente já tinha entendido que ansiedade não era bacana) disse para eu aproveitar o antes, disse inclusive que ‘preparar a festa’ já era curtir um pouco da festa, que a festa já tinha começado, em todos os detalhes que organizávamos, ali já era a festa. Que se eu deixasse para aproveitar somente o dia da festa em si, ela duraria bem menos do que poderia, do mesmo modo que curtir ela antes do dia marcado poderia fazer com que ela durasse muito mais. (Uma incrível distorção temporal da realidade, pensando agora).
Minha amiga alemã se assustou quando eu disse que estava ansiosa, ficou preocupada comigo. Acho que para eles é bem mais claro que estar ansioso é uma angústia e que não há alegria envolvida nisso.
Não sei se sou a única que associa/associava a ansiedade à espera por algo, bom ou ruim. Mas hoje eu entendo que estar animado para um evento ou circunstância poderia se chamar de Paciência, ou como eu tenho gostado de pensar: Esperar em paz.
Não há alegria na ansiedade. A ansiedade existe para nos alertar de perigos, mas quase sempre não estamos em perigo e a ansiedade muitas vezes nos sabota, nos tira do agora, do real e nos joga para um futuro que a gente nem sabe se vai existir.

De vez em quando eu penso na morte e ela me assusta demais, mas tenho notado que quando isso acontece é por que estou completamente fora do agora e vivendo em um lugar que não existe, que é o futuro. A morte é inexorável, isso é claro. Mas imagina você viver 95 anos e passar todos os dias até lá com medo de morrer. Acho que deve ser muito infeliz viver com medo de morrer. Dessa forma não importa se você vive 40 ou 80 anos.
Algumas coisas tem me ajudado nesses dias difíceis e uma delas é a prática de YOGA. Eu melhorei muito depois que comecei a ter consciência do meu corpo, da minha respiração e da capacidade que meu próprio corpo tem de me acalmar. Outra coisa que ajuda demais é esse desabafo que estou fazendo aqui, escrever e por pra fora.
Uma dica para alguém que eventualmente precise: respiração em quatro tempos – é mágica! Inspira pelo nariz contando até 4. Segura a respiração contando até 4. Solta o ar contando até 4. Deixa o peito vazio contando até 4. Faça isso até se sentir mais calmo. E para eu me lembrar: o único momento que existe é o agora. Seja grata pelo passado e confiante no futuro. Mas é o hoje que realmente importa. É nele que é preciso focar.
Importante: em alguns casos a ajuda de um profissional é indispensável. Procure ajuda desses profissionais.



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